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Padres cantores tem 2015 abençoado por CD do papa e apoio oficial da igreja
Padres cantores tem 2015 abençoado por CD do papa e apoio oficial da igreja

Se tem um ano que vai marcar o calendário da música cristã, este ano é 2015. Afinal, o papa Francisco surpreendeu o mundo ao lançar um CD de rock no final de novembro. “Wake Up!” tem 11 faixas em ritmo de rock progressivo. O fato inédito reforça o interesse da igreja em se modernizar até no ato de evangelizar. E a atitude do papa reflete no Brasil.

A CNBB promoveu o primeiro encontro de padres cantores de sua história há duas semanas, no dia 1º, na Arquidiocese de Aparecida, em SP. Vinte padres participaram da reunião inédita que consolidou o apoio da igreja para que os sacerdotes sigam no caminho da música. Os participantes viram a reunião como um estímulo ao trabalho deles, que tem gerado números expressivos.

O fenômeno dos padres cantores não é algo novo no Brasil, mas continua conquistando público. O padre Marcelo Rossi foi um dos pioneiros do movimento, no final dos anos 90, e segue como o maior fenômeno de venda de discos no país.

Em 2014, o CD “Tempo de Deus” foi o disco mais vendido do Brasil, segundo dados da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos). Os dados de 2015 ainda não estão consolidados, mas a gravadora Sony Music contabiliza que o padre Marcelo Rossi já vendeu 1,6 milhões de cópias só neste ano.

Jovens e abertos a parcerias com artistas populares, a nova geração de padres viu o rosto de seu público mudar nos últimos anos. Eles estão presentes na TV, no rádio e na internet com as redes sociais. Conquistaram fãs e títulos de suas gravadoras. Alessandro Campos, “o padre sertanejo do Brasil”, Juarez de Castro “a nova voz da música católica” e Reginaldo Manzotti “o padre que arrasta multidões”, entre outros.

“A nova voz da música católica”
O padre paulista Juarez de Castro encerra o ano não apenas com um disco novo, mas também com um recorde. O recém-lançado “Jesus a te Guiar” virou disco de ouro (40 mil cópias vendidas) ainda na pré-venda.
“Trabalho com mídia há dez anos, mas só agora as pessoas despertaram para o meu lado musical”, diz o padre de 43 anos que também apresenta programas de TV e rádio diariamente.
Evangelizar com todo tipo de música é a mensagem que o padre Juarez procura passar. “É o que a gente tem de recurso hoje, o que o povo gosta”.
Em seus discos ele já gravou “O Sol”, do Jota Quest, “Tente Outra Vez” do Raul Seixas, “Monte Castelo”, da Legião Urbana, “Fogão de Lenha”, de Chitãozinho e Xororó. Para ele, as músicas não precisam ser necessariamente religiosas para que passem uma mensagem de esperança.

“O padre que arrasta multidões”
Reginaldo Manzotti, o “padre que arrasta multidões”, reuniu em 2014 1,8 milhão de pessoas em uma celebração em Fortaleza, a terceira maior missa do Brasil. Ele só perdeu em público para as celebrações do papa João Paulo 2º, em 97, e Francisco, em 2013.
“No começo via mais pessoas acima dos 40 anos. Hoje tenho um público considerável de homens e muitos jovens. Antes só tinha mulher, os homens não acompanhavam”, explica o padre sobre o novo perfil de seu público. Ele atribui as mudanças às redes sociais.
Na página de Reginaldo Manzotti no Facebook são 5,6 milhões de seguidores fiéis. Ele também mantém uma conta no Instagram (155 mil seguidores) e recentemente virou adepto do Snapchat. O padre tem uma equipe que cuida das páginas, mas garante que todo o conteúdo passa por ele antes de ir para o ar. “Meu objetivo é divulgar um conteúdo evangelizador”, explica.
Aos 46 anos, o padre paranaense sempre celebra uma missa antes de tirar a batina e cantar ritmos que vão do reggae ao forró, por isso não vende ingressos e evita a palavra show. “Seria como cobrar para ir à missa”. A renda dos discos (foram 360 mil cópias vendidas neste ano), segundo o padre, ajudam também um projeto social tocado por ele além da pastoral da criança. “Faz parte de uma promessa que fiz a Deus”.

“O padre sertanejo do Brasil”
“Não fui eu quem escolhi a música sertaneja, foi ela que me escolheu”, diz padre Alessandro Campos sobre o título que ganhou depois de apresentar trechos de clássicos sertanejos em suas missas. O desejo de cantar o ritmo veio aos 16 anos, quando ele estudava para ser padre e assistiu a um show da dupla Zezé di Camargo e Luciano, na época estourada com o sucesso “É o Amor”.
“Desejei um dia estar em um palco como aquele e cantar para as pessoas quem era Jesus e ver milhares e milhares de pessoas se emocionarem cantando”, conta o padre que hoje tem parceria com Roberta Miranda em seu trabalho mais recente, “Quando Deus Quer, Ninguém Segura”, lançado em outubro. Só neste ano o padre já vendeu 610 mil cópias, segundo a gravadora Som Livre.
Alessandro Campos foi o artista que mais vendeu em sua gravadora em 2014. No balanço do ano passado ele só perde para padre Marcelo. Para o padre sertanejo, não tem crise. “Eu digo que nós não estamos em crise financeira, política ou em guerra; eu digo que nós estamos vivendo, na verdade, uma crise afetiva”. Com esta justificativa, os fiéis buscariam cada vez mais a música cristã.
Aos 33 anos, o mais jovem representante da nova geração de padres cantores contabiliza uma média de 120 shows só neste ano. Ele se diz estimulado pela mensagem do papa de “ir aonde o povo está”. Alessandro brinca também sobre o novo disco de Francisco. “Agora é o meu maior concorrente em CDs para eu atingir ou bater o recorde de vendas esse ano”.

fonte: UOL

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