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Lollapalooza 2019: O que deu certo e o que deu errado na oitava edição do festival?
Lollapalooza 2019: O que deu certo e o que deu errado na oitava edição do festival?

O Lollapalooza reuniu 246 mil pessoas no Autódromo do Interlagos entre sexta (5) e domingo, segundo o festival.
O público foi menor que o do ano passado e uma chuva atrapalhou o segundo dia, com mais de duas horas de interrupção. Mas também houve pontos altos em relação a edições anteriores.
O QUE DEU CERTO
Atrações no auge
O rapper Post Malone, uma das atrações de destaque da programação deste ano, cantou no festival no sábado (6). Ele tem quatro músicas entre as cem mais ouvidas do Spotify no mundo nesta terça (9): “Sunflower”, “Wow.”, “Better now” e “Rockstar”.
Ele não foi o único artista no auge convidado para a festa. Último a subir ao palco, Kendrick Lamar estreou no Brasil no palco do Lolla. É o rapper mais relevante da atualidade após acumular prêmios com seu álbum “Damn”, de 2017.
Sam Smith, atração da na sexta (5), também aparece no top 100 do Spotify, com “Dancing with a stranger”. E o Greta Van Fleet veio ao festival como uma das bandas de rock mais comentadas dos últimos anos.

Diversidade
Em 2019, o Lolla também escalou um time de atrações que levantam a bandeira da diversidade.
Kendrick levou ao palco principal seu repertório crítico ao racismo. Sam Smith se apresentou duas semanas depois de revelar ser uma pessoa não binária – ele disse numa entrevista não se identificar nem como homem, nem como mulher.
O australiano Troye Sivan fez show diante de uma multidão com bandeiras coloridas. “Quando vejo esse mar de bandeiras LGBT, sinto que tudo vai dar certo porque temos uns aos outros”, disse.
E a brasileira Liniker, defensora das causas gay e negra, discursou no palco: “Por mais que seja pouco, é muito gostoso olhar para a plateia do Lolla nesse ano e me ver mais nas pessoas.”

Palco Perry
O Palco Perry – dedicado à música eletrônica – cresceu pelo segundo ano consecutivo no festival.
O espaço que nasceu como uma acanhada tendinha se consolidou como destino de um público fiel e animado – com gente que vai ao Lolla só para passar o dia inteiro ao som das batidas.
As atrações de peso ajudaram. Passaram por lá, além de outras atrações, dois DJs popstars: Tiësto e Steve Aoki.
Mobilidade
A mobilidade em grandes festivais é sempre um ponto crítico, mas o Lolla parece ter encontrado um caminho, apostando no transporte público e em um serviço de transfer pago.
No sábado (6), dia em que ficou interrompido por mais de duas horas por causa de uma chuva forte, o festival conseguiu estender até a 1h30 de domingo (7) o horário de funcionamento de algumas linhas do metrô e trens da CPTM – a operação normalmente vai até a 1h.
Quem optou por pagar pelo transfer – os preços iam de R$ 110 a R$ 400, a depender do tipo de veículo – conseguiu fazer os trajetos de ida e volta, saindo em horários específicos de hotéis de São Paulo e do Ginásio do Ibirapuera.

O QUE DEU ERRADO
Público menor
A atrações no topo não foram suficientes para lotar o Autódromo. Somado, o público dos três dias foi de 246 mil pessoas:
78 mil na sexta;
92 mil no sábado;
e 76 mil no domingo.
O número é consideravelmente menor que o do ano passado, quando houve lotação máxima nos três dias – foram 100 mil pessoas em cada um. Em 2018, o Lolla teve como atrações principais Red Hot Chili Peppers, Killers e Pearl Jam.
Interrupção desorganizada:
Raios são uma das causas de paralisação de festival
Em uma operação de segurança desorganizada, o festival não deixou claro ao público o que estava acontecendo após ser interrompido por causa da chuva e da incidência de raios no Autódromo de Interlagos.
Algumas pessoas foram encaminhadas para áreas de segurança no local. Outras foram orientadas até as saídas de emergência. Antes, a organização havia fechado os portões e impedido o público de entrar e sair do evento, gerando tumulto.
O Lolla ficou suspenso por mais de duas horas. Muitas pessoas reclamaram que, nesse período, o festival ficou em silêncio – não havia nem som ambiente. Por causa do problema, Silva e Chemical Surf tiveram shows cancelados. Snow Patrol, Jain e Gryffin fizeram apresentações mais curtas.
Problemas com segurança
Houve reclamações de truculência na segurança do festival. A que mais repercutiu foi a do artista e empresário Evandro Fióti, irmão do rapper Emicida.
Ele relatou em uma rede social ter sido alvo do racismo de um segurança da banda Kings of Leon, que se apresentou no sábado, segundo dia da festa. Fióti contou que foi barrado e xingado em inglês de “macaco”. “Racista não vai ter vez!”, escreveu.
A assessoria de imprensa do Lolla foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu.

Cadê o funk?
Mesmo no topo das listas de músicas mais ouvidas da internet brasileira, o funk continua precisando do aval de um artista gringo para entrar no festival.
O carioca Kevin o Chris, MC dos famosos hits que citam o Baile da Gaiola, subiu ao palco ao lado de Post Malone para cantar duas músicas, com recepção exaltada do público.
Enquanto isso, na edição chilena do Lolla, Kevinho (de sucessos como “Olha a explosão”) fez show só seu, com plateia lotada. Ele se apresentou no palco Perry, espaço dedicado a novidades e experimentações musicais.
Apesar disso, o evento sinalizou em 2019 uma mudança sutil de direcionamento, ao escalar Iza, atração pop, mais alinhada ao que toca nas rádios brasileiras.

Fonte: G1 noticias

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