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Jorge & Mateus preparam novo DVD
Jorge & Mateus preparam novo DVD

Em maio, a dupla Jorge & Mateus comemorou dez anos de carreira. Motivo para festejar é o que não falta. Afinal, estamos falando de uma década de sucessos radiofônicos, ótimas vendagens, uma rotina incessante de shows e negócios que extrapolam o circuito palco – estúdio. Mas isso não quer dizer que essa comemoração seja baseada apenas nas vitórias que já foram alcançadas.

O primeiro projeto desse ano especial explora o lado inventivo da dupla, principalmente de Mateus que, ao lado do produtor Dudu Borges, criou arranjos bem diferentes daqueles que os fãs estavam acostumados a ouvir. Lançado também em maio, o álbum “Os Anjos Cantam” (Som Livre) apresenta uma faixa introdutória de quase um minuto – portanto, longa para os tempos atuais –, seguida por 31.12 e pela música que dá nome ao trabalho. O ouvinte menos atento pode confundir esses primeiros momentos com um disco qualquer de rock progressivo, considerando o timbre das guitarras e o efeito de cítara que permeia as músicas. “Em dez anos, a gente já fez tanta coisa que deu vontade de criar algo diferente”, explica Jorge.

O cantor confirma que seu parceiro é o principal aliado do produtor na composição dos arranjos. “O Mateus tem esse envolvimento com a guitarra – ele toca muito bem e entende de produção. Eu participo na composição das músicas e escolha do repertório, porque, para ser sincero, não gosto de tocar. Não posso participar de algo que não entendo, porque foge da verdade”.

Por conta da agenda movimentadíssima, Jorge & Mateus ficaram três anos sem lançar um álbum de estúdio. O último havia sido “Essencial” (Som Livre, 2012) que, na verdade, tratava-se de uma coletânea com a inclusão de canções inéditas. Nesse meio tempo, os sertanejos até lançaram singles registrados em estúdio, mas nunca um álbum no estilo, nem mesmo um EP. “Como a correria é grande, permanecemos dois anos trabalhando na estrada, com muitos shows, sendo que alguns deles se tornaram DVDs”, conta Jorge.

“Os Anjos Cantam” é o álbum mais conceitual da carreira da dupla. Por isso, seria impossível terminá-lo sem despender um bom tempo de estúdio. Aí, fica mais clara a dificuldade exposta por Jorge. “Começamos esse trabalho do zero, em março do ano passado. Precisamos de oito meses para fazer o disco, desde a escolha do repertório até a gravação de todas as músicas. Com uma agenda como a nossa, fica complicado fazer isso uma vez por ano”. Ao todo, o disco conta com 17 faixas, incluindo três já bem conhecidas do público – “Logo Eu”, “Nocaute” e “Calma”.

Apesar da variedade de sonoridades, a temática das músicas é sempre a mesma: o amor. Aliás, essa é a principal característica de Jorge & Mateus nesses dez anos de estrada. Mesmo no período em que o sertanejo foi tomado por músicas de duplo sentido, com letras que falavam de mulheres, bebida e ostentação, eles mantiveram a mesma linha romântica. “A base da nossa música vem de artistas como Zezé Di Camargo & Luciano, Leonardo, Bruno & Marrone e João Paulo & Daniel, entre outros. Todos eles fizeram parte de uma geração em que o sertanejo romântico tomou conta do Brasil e abriu as portas para tantos outros que vieram depois. Essa questão das letras de duplo sentido é complicada, porque há muitas crianças e adolescentes entre os nossos fãs. Eu não posso dar a impressão de que o bom da vida é curtir, beber, pegar mulher e viver na balada. Se eu tiver que passar uma mensagem para eles é ‘vá estudar, crescer na vida’. Essa é a nossa essência”, diz Jorge.

Você pode pensar que, ao lançar um CD com quase 20 músicas, Jorge & Mateus já estariam pensando em trabalhá-lo por bastante tempo. Mas não é isso que se desenha. Nem bem lançaram “Os Anjos Cantam” e os sertanejos preparam o sexto DVD da carreira. “Já estamos trabalhando nesse projeto, escolhendo repertório, compondo e ouvindo muitas músicas. Esse processo de criação é muito gostoso”, afirma Jorge. O cantor deixa em aberto quando indagado se o trabalho terá uma seleção com os maiores sucessos da dupla, por conta dos dez anos de carreira. Porém, tudo indica que o repertório será composto majoritariamente por material novo. A gravação acontecerá em setembro, em local ainda não definido. Com isso, Jorge & Mateus prometem ter o ano mais produtivo da carreira no que diz respeito a lançamentos de canções inéditas. Só no CD foram 14 músicas novas, que serão somadas a tantas outras do DVD.

A despeito do tempo passado na estrada e em cima dos palcos, Jorge & Mateus sempre evitaram a superexposição. Mesmo com todo o sucesso, músicas tocando no rádio, CDs vendidos à baciada e de ser considerada a principal dupla dos últimos anos, J&M não são figurinhas carimbadas na televisão. “Não agimos como celebridades, somos low profile – mesmo! Isso não quer dizer que não gostamos de televisão, mas tem que haver algum motivo para aparecer. Quando lançamos trabalhos novos, por exemplo, fazemos todos os programas”, diz Jorge, revelando uma certa antipatia pelos programas de fofoca. “O artista tem que aparecer na mídia, não a vida pessoal dele. Algumas atrações querem simplesmente explorar a intimidade das pessoas. Não se importam se estão fazendo algum mal, denegrindo a sua imagem”, desabafa.

Essa postura tanto dentro, quanto fora dos palcos, não serve de referência apenas para os fãs. J&M comemoram o fato de receberem elogios de seus ídolos e serem fonte de inspiração para os novos artistas. “De tempos em tempos, alguns produtos servem de referência. Na década de 90, muita gente procurou se aproximar do estilo do Zezé Di Camargo; nos anos 2000, aconteceu o mesmo com o Bruno (da dupla com Marrone), e agora, essa história continua com a gente”, afirma.

Entre esses que citam Jorge & Mateus como referência estão Henrique & Juliano. Desde o ano passado, quando a dupla se consolidou no mainstream, muito se falou sobre a semelhança na sonoridade e, principalmente, no timbre de voz dos cantores. Pouco antes do lançamento de “Os Anjos Cantam”, alguns sites propagaram boatos sobre a existência de uma disputa entre eles. Contudo, Jorge faz questão de esclarecer que essas informações são falsas. “Eu acho bacana o trabalho dos meninos. Às vezes, o pessoal tenta criar rixa, mas não existe competição entre as duplas. Isso não é uma olimpíada. Tenho uma convivência muito boa com todos, alguns eram meus ídolos e se tornaram amigos. Também adoro conversar com a galera nova. Inclusive, Henrique & Juliano já participaram de um show nosso, quando iniciavam a carreira”.

Ecletismo nos negócios

Há algum tempo, Jorge & Mateus deixaram de ser apenas artistas para se tornar empreendedores. O primeiro exemplo a ser lembrado é o pioneirismo no Carnaval de Salvador (BA). Essa história começou em 2008, quando eles criaram o projeto “Jorge & Mateus Elétrico”, no qual misturavam o gênero sertanejo ao axé baiano. Nesse mesmo ano, começaram a se apresentar na folia soteropolitana.

Em 2011, os dois foram mais ousados, ao colocar o primeiro bloco essencialmente sertanejo na folia baiana, o “Pirraça”. “Disseram que a gente estava louco, que não haveria procura pelos abadás do bloco. Mas deu certo porque já naquela época a música sertaneja vinha atingindo um público cada vez maior nas regiões norte e nordeste. A grande vantagem de tocar no carnaval baiano é que o artista não precisa se prender a um repertório fixo. Ele toca de tudo para animar a galera”.

Jorge & Mateus são os principais nomes da AudioMix, escritório sediado em Goiânia que conta ainda com artistas como Humberto & Ronaldo e Israel Novaes. Mas a presença deles na empresa não se resume a isso. A dupla tem participação no agenciamento da carreira de alguns nomes do cast e em outras empresas do grupo. “Também somos sócios do Wendell (Nuxx) e Marquinhos (Araújo) na casa noturna Villa Mix de São Paulo”, exemplifica Jorge.

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