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“Ainda não há cultura de metal extremo no país”, diz guitarrista do Krisiun
“Ainda não há cultura de metal extremo no país”, diz guitarrista do Krisiun

Você pode nunca ter ouvido falar de Krisiun, mas o grupo brasileiro é considerado hoje um dos principais nomes mundiais de seu gênero, o death metal, vertente mais extrema do rock pesado. Formada na pequena Ijuí (RS), há 25 anos, a banda coleciona elogios da crítica especializada, é a estrela de festivais nos Estados Unidos e Europa e, para se manter, tem que gravar seus discos somente no exterior.

“Para atingir o nível que a gente busca, tem que ser na ‘gringa’. Sem desmerecer o país. Mas a gente já tentou gravar aqui duas vezes, e o resultado não foi satisfatório”, conta ao UOL o guitarrista Moyses Kolesne.

O próximo disco do grupo, “Forged in Fury”, nono de estúdio da carreira, chega às lojas no próximo dia 7 de agosto, trazendo as tradicionais doses de fúria e brutalidade da banda. Uma sonoridade gutural, veloz e pouco acessível às massas. Segundo os integrantes, impossível de ser extraída em estúdios brasileiros.

A carência começa pelo básico. Produtores com experiência, dedicados apenas ao estilo, são raros no país. A economia também influencia. No Brasil, montar um estúdio de ponta, com todos os equipamentos necessários para testar e depurar o peso do heavy metal, é luxo para poucos.

“No metal, a produção às vezes peca um pouco por aqui. Sem desmerecer a gente, que é brasileiro. Mas lá fora eles têm uma tradição, um conhecimento melhor que o nosso. Temos produtores bons aqui, mas você precisa de um tempo maior em estúdio para chegar num nível mais ajeitado. Por isso optamos por gravar fora.”

Registrado nos Estados Unidos, no estúdio Mana, o novo álbum do Krisiun leva a batuta do guitarrista Erik Rutan (ex-Morbid Angel), que já produziu mais de 30 álbuns de bandas de música extrema. Entre elas, Cannibal Corpse e Six Feet Under. Segundo Moyses, ele é o responsável pelo direcionamento atual. Ainda com letras apocalípticas, mas ligeiramente mais “groove” e cadenciado.

“Ele tem uma maneira de produzir diferente dos outros produtores com quem já trabalhamos até agora. É mais focado na performance de cada música. Tenta tirar o melhor de cada música sempre, em vez de simplesmente focar na parte técnica, de gravação. Nunca um produtor de fora da banda participou tanto de um disco nosso.”

Para o guitarrista, o momento do death metal já foi melhor, assim como o do rock em geral. Mas há motivos para ser otimista. Moyses diz que nunca tanta gente se mostrou interessada em ouvir uma música que é anticomercial por natureza. Nem nos anos 1990, quando o Sepultura fez do thrash metal a bandeira brasileira no mundo.

“Estamos crescendo. Mas a cena do death metal não é tão grande quanto aqui como nos EUA. Bandas como Cannibal Corpse e Morbid Angel têm um status diferenciado lá. Atingem vendas na ‘Billboard’. A música extrema tem um respeito maior lá. No Brasil, o povo ainda não tem uma cultura do metal extremo como lá fora.”

fonte: uol

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