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João Rock 2016: Marcelo D2, BNegão e Black Alien cantam juntos pela primeira vez em 15 anos no festival
João Rock 2016: Marcelo D2, BNegão e Black Alien cantam juntos pela primeira vez em 15 anos no festival

O Joao Rock chegou em 2016 à sua 15ª edição e o ano comemorativo do festival foi uma versão ampliada, mais grandiosa e inclusiva do histórico evento de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Além da urgente inclusão de um espaço dedicado à produção mais recente da música brasileira, o João Rock 2016 criou um palco composto por todos os artistas que tocaram na primeira edição do festival, em 2002.

A maratona musical não só recebeu um público maior este ano – impressionantes 50 mil pessoas compareceram ao Parque de Exposições de Ribeirão Preto no último sábado, 18, com ingressos esgotados com antecedência –, o João Rock foi permeado de diversos encontros, entre eles um momento histórico: Black Alien cantou junto a Marcelo D2 e BNegão 15 anos depois de ter saído do Planet Hemp.

Em relação aos últimos anos, a organização foi bem mais rígida quanto aos horários. Se em 2015 o festival ainda rolava quando os primeiros raios de sol do dia seguinte começavam a dar as caras, este ano, a pontualidade foi um dos trunfos e antes das 2h30 de domingo, 19, todos os shows já haviam chegado ao fim. A eliminação dos atrasos também impede uma movimentação comum neste tipo de evento: o esvaziamento precoce e pessoas indo embora sem conseguir assistir ao show pelo qual pagou o ingresso.

Outra novidade de 2016 foi a adoção de um recurso vastamente utilizado em festivais, uma moeda própria. As chamadas “baquetas” custaram o dobro do real (para comprar uma lata de Skol a R$ 8 eram necessárias 4 baquetas) e foram inseridas em forma de crédito em um cartão personalizado. Apesar de moderno, o recurso gerou filas gigantescas e fez com que várias pessoas saíssem do evento sem consumir pelo que pagaram.

O Parque de Exposições continuou permeado de atrações diversas, como o bungee jumping e a pista de skate, além da praça de alimentação abrangente e em tamanho adequado. Com a nova configuração de três palcos, o vazamento de som foi um problema recorrente, assim como a circulação entre os ambientes. Mesmo com palcos relativamente próximos, a transição entre eles foi complicada – ainda que não comprometedora –, especialmente depois das 21h, devido à quantidade de público no espaço.
A redundância no line-up – característica quase permanente no João Rock – voltou a ser perceptível, apesar de algumas mudanças. Por apostar em atrações veteranas e consagradas – e, portanto, velhas –, o festival acaba, por vezes, caindo em um ciclo anacrônico: Nação Zumbi, Nando Reis e Paralamas do Sucesso tocaram em 2014 e retornaram em 2016; Criolo e Planet Hemp se apresentaram em 2015 e voltaram este ano; e o CPM 22 não sai do line-up do João Rock há três anos.

Os nomes já estabelecidos são fundamentais para dar ao evento a proporção que ele tem (para se ter uma ideia, um dia caído de Lollapalooza em São Paulo pode ter quase o mesmo público do João Rock 2016), mas a venda relâmpago de ingressos é uma prova de que há suporte para mais apostas. A região de Ribeirão Preto é escassa de shows destes nomes consagrados – o que dá ainda mais importância ao João Rock –, mas não precisa ficar restrita a recebê-los uma vez a cada dois anos.

Um efeito direto da pouca variação nas escalações foi visto na edição deste ano, com algumas músicas sendo apresentadas duas vezes no mesmo palco. “Que País É Esse?”, originalmente lançada pelo Legião Urbana, foi tocada pelo projeto de Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá e também pelo Paralamas do Sucesso, enquanto “Manguetown” apareceu no show do Nação Zumbi e na apresentação seguinte, em que o grupo pernambucano se uniu ao Paralamas do Sucesso. Marcelo D2 e BNegão cantaram “Contexto” com Black Alien e quase tocaram a música novamente com o Planet Hemp (na ocasião, D2 decidiu cortá-la de última hora).

A escalação de Criolo e convidados como headliner foi um respiro em meio a tantos veteranos. O rapper paulistano conseguiu segurar uma multidão com um repertório construído majoritariamente nos últimos seis anos – incluindo alguns novos hits – e ainda abriu espaço para jovens e talentosos artistas, dividindo performances com Tulipa Ruiz e Rael, para um público numeroso e participativo, que não arredou pé.

Em um repertório que contou com “Convoque Seu Buda”, “Mariô”, “Subirusdoistiozin”, “Duas de Cinco”, “Grajauex”, “Bogotá” – todas dos discos Convoque Seu Buda (2014) e Nó Na Orelha (2011), respectivamente segundo e terceiro de Criolo –, o rapper mostrou as novas versões de canções antigas, revitalizadas no relançamento do primeiro álbum dele, Ainda Há Tempo (2016): “Tô Pra Ver” e “Vasilhame”.

Histórico
A curta apresentação de Black Alien no palco principal do festival chegou ao fim com o hit “Mister Niterói” – do antológico álbum Babylon by Gus Volume 01 (2004) – naturalmente, sem muito alarde. Depois de o som já ter sido desligado, a plateia já se deslocava para o palco adjacente, onde o Planet Hemp tocaria em minutos, quando BNegão surgiu repentinamente, seguido por Gustavo Black Alien e Marcelo D2 (os atuais integrantes do Planet Hemp foram convidados por Alien).

Um abraço de D2 e Alien selou o encontro histórico. Desde que saiu do Planet Hemp, em 2001, Black Alien não subia no mesmo palco que os ex-companheiros BNegão e D2. Juntos, eles cantaram a clássica “Contexto”, causando um misto de euforia e surpresa nos presentes, muitos dos quais ficaram perdidos entre registrar o momento e prestar atenção no som. Musicalmente, a apresentação não foi lá das mais eletrizantes – apenas um DJ os acompanhou –, o que teve importância quase nula para a plateia, testemunha da mais significativa performance de “Contexto” em 15 anos.

Em seguida, o show do Planet Hemp seguiu os conformes, percorrendo clássicos antigos (“Legalize Já”, “Fazenda a Cabeça”, “Stab”, “Quem Tem Seda?” e por aí vai), uma cover de Ratos de Porão (“Crise Geral”), uma homenagem a Chico Science e Nação Zumbi (“Samba Makossa”) e discurso político agudo (“Vai tomar no cu, Temer”, gritou BNegão, sem nenhum pudor). Possivelmente impulsionados pelo encontro com Black Alien – mas também pela atuação especialmente afiada de BNegão –, o Planet Hemp conseguiu fazer um show ainda mais intenso que o deles no mesmo palco em 2015.

Fonte:http://rollingstone.uol

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